• FM O Dia

A Pandemia chegou sem pedir passagem. Os MCs, assim como toda a classe que vive de música, se viram impedidos de realizarem shows, por conta da aglomeração.

Vieram as lives, que duraram pouco. Pra onde correr? O digital foi a saída.

O que, até então, era uma consequência do trabalho, virou prioridade. As plataformas digitais passaram a ser o foco das atenções e das estratégias dos artistas. Youtube e Spotify, por exemplo, são aplicativos gringos e, por conta disso, remuneram em dólar.

Hoje, um dólar vale por volta de R$5,30. Nada mal ganhar em dólar, né? Então, todo mundo foi logo tratando de entender como funcionam as plataformas digitais e, o mais importante, como lucrar com elas.

Com o MC Maneirinho não foi diferente. Inclusive, ele acabou descobrindo que tinha muita gente esperta se dando bem em cima dele e de outros MCs.

A pandemia fez a gente desmascarar muita gente, muita gente que tava pegando dinheiro no sapatinho de coisas que a gente não sabia, por nossa ignorância”, contou.

A entrevista rolou durante o programa Resenha Proibidona, da FM O Dia, e também contou com a participação do MC Cabelinho, que mandou logo o papo:

“Quando a galera viu que o ‘bagulho’ tava apertando, os caras começaram falar: Pô mano! Mas e aquele dinheiro que tá lá no Spotify, eu não tenho direito? E foi aí que o MC começou a descobrir que tinha empresário metendo a mão no digital”, contou.

“CEROL FININHO”

Maneirinho revelou que essa prática é realizada por empresários, mas também por terceiros, que ficam esperando o momento certo:

“Tão ali de olho, esperando só uma falha sua pra poder ir lá pegar esse teu carvão, que na cabeça deles, a gente nunca vai descobrir. Então, na quarentena, o cerol foi fininho pra um montão, um montão tá aí tendo que vender casa, carro pra pagar nós”, disse.

Maneirinho, então, correu atrás do prejuízo e da monetização de trabalhos antigos e se surpreendeu:

“Quando eu fui ver irmão, tinha quase uma mansão minha na rua, de produções minhas como DJ, músicas antigas (…) É um bem não só meu, mas dos meus filhos, é um patrimônio dos meus filhos”, contou.

Maneirinho ainda deixou um conselho pros artistas que querem faturar alto com a música.

“É aí que tá o dinheiro (digital). É aí que você vai comprar teu carrão, que você comprar tua mansão”, destacou.

Pra ele, o show é um momento de curtir e, embora dê dinheiro, não é a principal fonte de receita.

” O show eu falo que é gozar. O show é aquela hora que você explode, rola muito dinheiro, mas o digital e a publicidade, Deus me livre…”

Os “crias” precisam aprovar

Ainda nessa Resenha, Maneirinho e Cabelinho revelaram que não é qualquer música que vai pra rua, não. Os trabalhos devem passar antes pela aprovação dos “crias”, que são os amigos pessoais.

“A aprovação das músicas que a gente lança tem que vir dos ‘crias’. Se meu ‘crias’ ‘gostar’ nós ‘lança’, porque vai dar bom (…) Nós não ‘pode’ perder nossa raiz, nossa origem”, falou Cabelinho.

Assista a entrevista completa