• Geizon Paulo

Prestes a apresentar mais uma live neste domingo (16), a terceira desde o início da pandemia, Leandro Sapucahy acredita que o formato não vá durar por muito mais tempo, pelo menos não com o objetivo de substituir os shows. “A gente não vai conseguir manter a live como uma ferramenta eterna. Acredito que elas duram mais esse mês de agosto, até meados de setembro, no máximo. Talvez, ela até substitua o DVD, como uma forma de deixar seu trabalho exposto”, disse o cantor. Ele revela que um de seus objetivos com os shows online é exatamente ter um bom registro em vídeo como uma vitrine.

“Fiz com esse intuito, meio que de deixar um conteúdo bacana na Internet pro cara consumir. O número do dia é bacana, mas o mais importante é ter um material bem feito, com a tua discografia no YouTube pra pessoa acessar a hora que ela quiser”.

Com início às 13h, a apresentação contará com um repertório exclusivamente de samba, com algumas músicas sugeridas por fãs em enquetes nas redes sociais. “Na segunda live, eu abri pra galera pedir e acabou que eu não consegui atender a todo mundo”, conta Sapucahy, que incluiu no roteiro musical não apenas clássicos do gênero e hits da própria carreira, mas também sambas que o próprio público ‘fez acontecer’. “Escolhi sambas que a rua ‘estourou’, como ‘Alma Boêmia’ [do Toninho Gerais], Renato da Rocinha, mas também vai ter Zeca [Pagodinho], Almir Guineto, Reinado… Tem também duas músicas do Roberto Ribeiro, que o pessoal pediu muito, e  Gonzaguinha, que muita gente remete os sambas dele a mim”, adianta o artista.

A ‘Live do Sapuca 3’ terá participação do grupo Vou Pro Sereno e, inicialmente, tem previsão de duração de duas horas. Mas esse tempo pode ser estendido em até mais uma hora, dependendo da animação do público do outro lado da tela.

As duas primeiras lives apresentadas por Leandro Sapucahy tiveram média de público de 20 mil pessoas simultaneamente, mas o cantor espera uma queda considerável nesta terceira transmissão, muito em função da flexibilização das medidas de isolamento social.

“Eu tô calculando que vai cair uns 50%, porque tem um público no shopping, uma galera já trabalhando, tem a praia aberta…”, disse o cantor, que sabe que esse é processo que atinge todo o mercado da música. “Artistas que tiveram um milhão, caíram pra 250 mil. Outros que tinham 100 mil caíram pra 25 mil”, observa Leandro.

Outro objetivo da live é arrecadar cestas básicas para ajudar profissionais do setor musical, sem trabalho com a impossibilidade da realização de eventos. A experiência, bem-sucedida nos dois primeiros shows online, será repetida agora. “Na primeira, foram 4 toneladas, e na segunda, mais duas. A gente arrecada e doa exclusivamente pra músicos, técnicos, uma rede solidária que acabamos criando. Deu muito certo!”, conta Sapucahy, sem esconder a felicidade de poder contribuir com a categoria neste momento de dificuldade. “Foi uma das coisas que me deixou mais feliz. Era algo que eu sempre quis fazer, mas não sabia muito como, e a live me deu essa oportunidade de ajudar mais as pessoas”, comemora o artista.