• Geizon Paulo

Pretinho da Serrinha denunciou sofrer racismo em laboratório da Zona Sul do Rio. (Reprodução/Instagram)

Jurado do reality show de talentos da TV Globo “Popstar”, o cantor e compositor Pretinho da Serrinha revelou ter sido vítima de preconceito racial por ser negro. Na quinta-feira (22), o artista foi até o Laboratório Granato, em São Conrado, Zona Sul do Rio, para fazer um teste para a detecção do novo coronavírus, quando foi questionado indiretamente sobre sua capacidade de pagar pelo exame, em uma clara demonstração de como funciona o racismo estrutural do Brasil.

“Quando cheguei para fazer o exame, uma senhora me atendeu e perguntou o que eu pretendia. Respondi que queria fazer o exame PCR, e ela logo rebateu: ‘O senhor não está no lugar errado, não? Não está querendo ir à policlínica?’. Ela se referia a uma unidade que tem ali perto, no pé da comunidade da Rocinha. Eu respondi que não, e ela insistiu: ‘Mas o senhor sabe o valor? Custa 450 reais, o senhor sabe disso?’”, contou Pretinho.

Mesmo abalado com a situação, o cantor respondeu ao ser novamente questionado se teria condições de pagar pelo exame, agora, por uma médica.

“A atendente chamou a médica, e a médica nem me deu ‘boa tarde’ quando chegou. Já veio com ‘O senhor sabe quanto custa o exame?’. E, aí, eu não me segurei: ‘Vocês acham que não tenho dinheiro pra pagar um exame só porque sou preto? É isso? Eu sei onde estou, sei o valor! Não perguntariam isso se eu fosse branco, perguntariam?’. E começou um tal de ‘não é bem assim, meu marido é negro’ e um monte de justificativas. É complicado. Eles jogam o valor já pra assustar, partindo do pressuposto que não temos condições de pagar”, disse o cantor.

Em entrevista à Veja Rio, a dona do laboratório, Kátia Granato, tentou minimizar a situação, explicando que tudo não passou de um mal-entendido, motivado pela reclamação anterior de um casal que tinha acabado de ser atendido.

“O casal que tinha sido atendido fez o exame e, na hora de pagar, achou que o preço era 280. Esse é o preço da policlínica, que é mais barata. Quando foi informado que o valor no laboratório era 450 reais, fez um escândalo”, disse Kátia, que é proprietária dos dois estabelecimentos, que ficam bem próximos. Segundo ela, Pretinho teria chegado ao local em seguida e sido atendido por uma funcionária, que já foi avisando o valor do exame. “Se eu fosse o Pretinho também acharia que foi preconceito. Eu o entendo, mas o que houve foi uma infeliz coincidência”, disse a dona do laboratório, que ressaltou que a funcionária – que é negra – agiu da maneira que agiu “no zelo de acertar”.

Cantor e compositor, Pretinho da Serrinha já foi jurado do “Popstar” e comentarista de Carnaval, na TV Globo. (Reprodução/Instagram)