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Salgueiro

Fundação 05/03/1953
Cores Vermelho e Branco
Presidente André Vaz
Quadra Rua Silva Teles, 104 – Andaraí – Rio de Janeiro – RJ – CEP 20541-110
Telefone Quadra (21) 2238-9226
Barracão Cidade do Samba (Barracão nº 08) – Rua Rivadávia Correa, nº 60 – Gamboa – CEP: 20.220-290/td>
Telefone Barracão (21) 2258-0068 (Vila Olímpica)
Internet www.salgueiro.com.br
Imprensa Flávia Cirino
Tel.: (21) 999834-0807
Enredo 2020 “O Rei Negro do Picadeiro”
Diretor de Carnaval Alexandre Couto
Carnavalesco Alex de Souza
Mestre de Bateria Guilherme Oliveira e Gustavo Oliveira
Rainha de Bateria Viviane Araújo
Mestre-Sala e Porta-Bandeira Sidclei Santos e Marcella Alves
Comissão de Frente Sérgio Lobato
O Rei Negro do Picadeiro
SINOPSE

Sou filho do “Negro Malaquias”, sujeito danado de brabo, que caçava os “fujão” da fazenda do
sinhô e da sinhá, que até eram “bão”. E minha mãe, Leandra, era cativa de estimação.

Um dia o circo chegou lá na Vila 02 , eu levava broa de milho para vender na entrada; tinha uns
doze anos e resolvi fugir. O picadeiro representava liberdade, sonho e fantasia. Antes que me
esqueça, meu nome é Benjamim Chaves, mas meu pai me chamava de “Beijo”, “Moleque
Beijo”.

Parti no Circo Sotero. Lá, a obrigação da meninada, era aprender desde cedo, todas as tarefas.
Mesmo eu, que era um agregado, aprendi debaixo de castigo, a cuidar dos animais; todas as
acrobacias e outras coisas mais…

“A mãe da arte de todos os números é o salto” e eu dei um salto na vida. Tem que aprender a
cair, pra saber levantar.

Aprendi muito com o “Mestre Severino” e adotei seu sobrenome, agora pode me chamar de
Benjamim de Oliveira. Mas entre sonho e realidade, vida de “beijo” é difícil, é difícil como o
quê… E de tanto apanhar, fugi de novo. Meu destino era fugir, destino de negro…

Fui atrás de uma caravana de ciganos, mas “quá” 03 , “num” é que os “ladino” 04 queriam me
trocar por cavalo?

Fugi e fui pego por um fazendeiro, provei que era circense e ele me deixou seguir viagem.

E de circo em circo, substituí o palhaço principal, que estava doente, no Circo frutuoso,
começando aí minha história…

A noite começava a fervilhar nas cidades grandes, eram novos tempos, teatros, café-concerto,
a elite buscava o teatro sério e o “Zé Povo”, o que fosse mais ligeiro, encontrava no circo o
divertimento que queriam. “Todo artista tem de ir aonde o povo está!”

Minha popularidade crescia, uma vez até o presidente, o marechal de ferro, Floriano Peixoto,
por eu cantar e dançar chulas 05 foi lá me cumprimentar 06 .

No Spinelli lancei a forma de teatro combinado com circo que chamariam pavilhão. Comédias,
paródias e a arte de representar por gestos, sem palavras. Fizemos clássicos, como Otello 07 ;
farsas, melodramas, operetas como A Viúva Alegre 08 , até uma paródia de O Guarani 09 , que
acabou projetado nas telas, o cinema surgia na bela época 10. O primeiro Momo, que seria mais
tarde, a representação do “Rei da Folia”, foi pela primeira vez, representado por mim, na
minha opereta fantástica O Cupido do Oriente. Assim como inúmeras peças, de minha autoria.

Fui ator, diretor, autor, produtor, dançarino, compositor, cantor (até gravei discos), e palhaço
sim senhor! O PRIMEIRO PALHAÇO NEGRO DO BRASIL! E o palhaço o que é? E o que fui? Uai?!
Acima de tudo: Um artista brasileiro!!!

Abram as cortinas, acendam as luzes, que o show tem que continuar! Respeitável público,
minhas senhoras e meus senhores, nessa passarela/picadeiro, o meu querido Salgueiro vai
apresentar: Novos Benjamins do circo, teatro, cinema e televisão, com o aplauso “d’ocês”!

Despeço-me com um “Beijo” do “Moleque” e o meu muito obrigado!!!

Alex de Souza
Carnavalesco

*Texto Distribuído à imprensa

“O Rei Negro do Picadeiro”
Compositores: Marcelo Motta, Fred Camacho, Guinga do Salgueiro, Getúlio Coelho, Ricardo Neves e Francisco Aquino

Intérpretes: Emerson Dias e Quinho

Na corda bamba da vida me criei
Mas qual o negro não sonhou com liberdade?
Tantas vezes perdido, me encontrei
Do meu trapézio saltei num voo pra felicidade
Quando num breque, mambembe moleque
Beijo o picadeiro da ilusão
Um novo norte, lançado à sorte
Na “companhia” do luar…
Feito sambista
Alma de artista que vai onde o povo está

E vou estar com o peito repleto de amor
Eis a lição desse nobre palhaço                                 (bis)
Quando cair, no talento, saber levantar
Fazer sorrir quando a tinta insiste em manchar

O rosto retinto exposto
Reflete no espelho
Na cara da gente um nariz vermelho
Num circo sem lona, sem rumo, sem par…
Mas se todo show tem que continuar
Bravo!
Há esperança entre sinais e trampolins
E a certeza que milhões de Benjamins
Estão no palco sob as luzes da ribalta
Salta menino!
A luta me fez majestade
Na pele, o tom da coragem
Pro que está por vir…
Sorrir é resistir!

Olha nós aí de novo
Pra sambar no picadeiro
Arma o circo, chama o povo, Salgueiro!          (bis)
Aqui o negro não sai de cartaz
Se entregar, jamais!

Copyright: Editora Musical Escola de Samba Ltda.

BLOCOS DE RUA

Julho, 2020

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