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Portela

Fundação 11/04/1923
Cores Azul e Branco
Presidente de Honra Monarco
Presidente Luis Carlos Magalhães
Quadra Rua Clara Nunes, 81 – Madureira – Rio de Janeiro – RJ CEP 21351-110
Telefone Quadra (21) 3217-1604 / (21) 3256-9411
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Telefone Barracão (21) 2233-2284
Internet www.gresportela.com.br
Imprensa Raphael Perucci – Tel.: (21) 99460-2127
Enredo 2020 “Guajupiá, Terra Sem Males”
Carnavalesca Renato Lage e Márcia Lage
Mestre de Bateria Nilo Sérgio
Rainha de Bateria Bianca Monteiro
Mestre-Sala e Porta-Bandeira Marlon Lamar e Lucinha Nobre
Comissão de Frente Carlinhos de Jesus
Guajupiá, Terra Sem Males
RESUMO
IRIN-MAGÉ, PAJÉ DO MEL, POVOADOR DA TERRA…

Todas as bênçãos criadas por Monã (o Deus dos Tupinambás) trariam felicidade e contentamento a todos os seres aqui existentes, menos para o homem. Insurgentes, desprezaram tudo o que generosamente lhes fora dado.

Então veio castigo. O fogo desceu do céu e destruiu tudo sobre a terra. Apenas um homem considerado digno, foi poupado desse castigo. Seu nome era Irin-Magé.

Levado para o céu ele, aos prantos, diz à Monã, que seria difícil viver sem pares nesse imenso vazio. Comovido, Monã reverte a situação, e fez com que caísse um dilúvio sobre a terra. Dessa água surgiram os oceanos, os rios e tudo frutificou.

Monã então deu a Irin-Magé uma mulher e o mandou de volta à terra para que ele a repovoasse de homens melhores. Dentre os muitos de seus filhos, nasce um em especial que se tornaria o grande guru, o grande karaíba, “o profeta transformador”, chamado Maíramûana.

Familiar de Monã, Maíramûana aprendera a arte de transformar tudo o que quisesse de acordo com sua vontade nas mais diversas formas; de animais, pássaros, peixes e para punir os homens podia transformá-los também ao seu bel-prazer.

É esse profeta-guru, dotado de poderes e conhecimentos “sobrenaturais” e misteriosos, quem ensinará todas as práticas sagradas, todos os costumes e regras da organização social das tribos tupinambás.

 

BAÍA DA GUANABARA, NOSSO GUAJUPIÁ

Na beleza do azul sobre o azul, da calma sobre a calma, um curso d’água serpenteia num vale de árvores verdes e frondosas. Em todas as direções a floresta é vívida. Há que se fiar no Sol, a luz é cultivada e tudo deve ser puro.

O rio é o caminho, é sagrado, tem peixe, tem marisco. As aves voam livres, colorindo o céu. Temos tudo ao alcance das mãos, água de beber, de lavar e de se banhar. Vivemos a vida em profunda gratidão.

Mas além de pescar e caçar, somos também bravos guerreiros. Só aqueles que enfrentam a morte, sem medo, conseguem encontrar o Guajupiá. Os tupinambás representavam esse paraíso como um lugar idílico, recoberto de flores e regado por um maravilhoso rio, em cujas margens viam-se enormes árvores.

E nenhum lugar poderia ser tão igual ao imaginado Guajupiá eterno do que um Rio de Janeiro ainda virgem.

 

NASCE UM KARIÓKA
Chemembuira rakuritim, chemebuira rakuritim (eu já vou parir, eu já vou parir)

Nasce um tupinambá. Ritos e tradições serão seguidos, para assegurar bons presságios. Unhas de onça e garras de águia, ornarão o berço-rede, para garantir que nada de mal lhe aconteça.

Pai, mãe, filhos, avós, tios, tias, primos e primas, se juntam, está formada a maloca, a casa coletiva da tribo. Cercando o okara (grande quintal) se construía uma taba. Karióka, a lendária taba tupinambá, surge majestosa à esquerda da paradisíaca baía de kûánãpará.

O homem roçava a terra, plantava, fabricava canoas, arcos, flechas, tacapes, adornos de penas multicoloridas. Eram eles os responsáveis pela segurança das tabas. E sua função primordial era a de ensinar a arte da guerra.

Às mulheres eram imputadas as rígidas tradições e responsabilidades tribais, cuidavam da horta, participavam da pesca, fiavam algodão, teciam redes, fitas para amarrar nos cabelos e faixas para amarrar as crianças, trançavam cestos em junco e vime, manuseavam o barro para produzir panelas, vasilhas e potes, e mantinham acesos os dois fogos junto a rede do chefe da família. Eram o sustentáculo para o “esforço de guerra” tão cultivado pelo tupinambás.

Aos mais velhos cabiam repassar oralmente as histórias, o saber, e as orientações do que deveriam fazer, aos ainda jovens, em cada fase de sua vida.

Os tupinambás acreditavam que o homem tinha duas substâncias essenciais: uma eterna e outra transitória e ambas, o corpo e a alma, estavam ligadas.

 

KAÛÍ, A BEBIDA “DOS DEUSES”

Ó vinho, ó bom vinho! Jamais existiu outro igual!
Ó vinho, ó bom vinho! Vamos beber à vontade.
Ó vinho, ó bom vinho! Ó bebida que não dá preguiça!

Peguem as canoas! Passem pelas tabas: Yabebira – a aldeia maracanã, a do Peixe Pirá, de Eiraiá – atual Irajá – e sigam em direção a Guirá Guaçu, a aldeia com nome de águia, porque a festa vai começar!

Ao som dos marakás, chocalhos, flautas, tambores, pífanos e apitos, cantamos e dançamos. Tem que ter Kaûi ou Cauim, o licor sagrado que tanto adoramos.

A bebida era feita de raízes e frutos. As propriedades inebriantes do cauim eram feitas pela mastigação, e esse processo era considerado místico. Só mulheres, as mais lindas e puras, podiam participar da fabricação do “vinho”. Os tupinambás eram beberrões respeitados e era difícil acompanha-los. A festa poderia durar vários dias, enquanto houvesse bebida, porque disposição para consumi-la não faltaria.

… E todas as bênçãos criadas por Monã (o Deus dos Tupinambás) trariam felicidade e contentamento a todos os seres aqui existentes, menos para o homem. Insurgentes desprezaram tudo o que generosamente lhes fora dado. Então veio castigo…

Um Rio teve que acabar para que outro pudesse surgir. Como poderia ter sido se tivéssemos respeitado a diversidade étnico-cultural? Enterrada no esquecimento perdemos o elo com nossa ancestralidade primal, perderam eles, perdemos nós, absurdamente privados dessa experiência!

 

GUAJUPIÁ, O QUE FIZEMOS DE TI?

Essa coisa do azul sobre o azul
Da calma sobre a calma
Às vezes me cansa
Às vezes me acalma
Eu paro no sinal vermelho
Uns pedem dinheiro
Uns sacam o revólver
Um outro expõe a própria dor
Segue o asfalto
Metálico fluxo
Saudade é um retrovisor

Há que se fiar no sol
E cultivar a luz
Purificar o pus
Deus

Assisto a vitória do bronco, do bruto
Do sínico e da servidão
Segue o espetáculo
No estádio, na tela
Parlamentam sobre a escrotidão
Mas quando a tribo invadir a floresta
Subindo até o Sumaré
E deslinkar a torre, o Brasil
Meu mano então como é que é?

Há que se firmar na terra
O teto, o viaduto
Proliferar o fruto
Deus
(em memória – letra da música “Palas Superficiais”, de Marco Jabu)

 

“Cavam em busca de uma coisa
Que se sente estar profunda
Mas que foge e se esquiva
Quando chega à superfície
Uma coisa que está ali
Numa terra de mistério”.
(Poema de Joaquim Cardozo)

 

Autores: Renato Lage e Márcia Lage


*Texto divulgado à imprensa
“Guajupiá, Terra Sem Males”
Autores: Valtinho Botafogo, Rogério Lobo, José Carlos, Zé Miranda, Beto Aquino, Pecê Ribeiro, D´Sousa e Araguaci
Intérprete: Gilsinho

Clamei aos céus
A chama da maldade apagou
E num dilúvio a Terra ele banhou
Lavando as mazelas com perdão
Fim da escuridão
Já não existe a ira de Monã
No ventre há vida, novo amanhã
Irim Magé já pode ser feliz
Transforma a dor na alegria de poder mudar o mundo
Mairamuãna tem a chave do futuro
Pra nossa tribo lutar e cantar

Auê, auê, a voz da mata, okê okê arô
Se Guanabara é resistência                           (bis)
O índio é arco, é flecha, é essência

Ao proteger Karioka
Reúno a maloca na beira da rede
Cauim pra festejar… Purificar
Borduna, tacape e ajaré
Índio pede paz, mas é de guerra
Nossa aldeia é sem partido ou facção
Não tem “bispo”, nem se curva a “capitão”
Quando a vida nos ensina
Não devemos mais errar
Com a ira de Monã
Aprendi a respeitar a natureza, o bem viver

Pro imenso azul do céu
Nunca mais escurecer             (bis)

Índio é tupinambá
Índio tem alma guerreira
Hoje meu Guajupiá é Madureira
Voa águia na floresta                              (bis)
Salve o samba, salve ela
Índio é dono desse chão
Índio é filho da Portela

Copyright: Editora Musical Escola de Samba Ltda.

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Julho, 2020

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